30/03/2016

Erradicação do Aedes aegypti deve ser nossa meta de longo prazo, propõe Dr. Mafra-Neto

 

“Devemos fixar como nosso alvo um implacável esforço para alcançar a erradicação do Aedes aegypti em áreas amplas, em vez de simplesmente tentar somente mirar outra doença que esse mosquito transmite”. Esse foi o conceito defendido pelo Dr. Agenor Mafra-Neto (CEO da ISCA Technologies) no “Encontro sobre Aedes aegypti nas Américas”, ocorrido este mês em Maceió, Alagoas.
 
Ele sustenta que “agora estamos muito ocupados lutando contra o Zika. Antes era contra a Chikungunya e a dengue. Nós precisamos fazer um esforço combinado para erradicar o Aedes, o vetor dessas doenças, até que o último mosquito seja eliminado das áreas que queremos proteger”.
 
De acordo com o especialista, isso precisa ser feito “antes que a próxima doença terrível apareça. No passado, nós fomos capazes de juntar esforços e erradicar mosquitos em grandes extensões geográficas. Nós ainda fazemos isso hoje para erradicar pragas agrícolas. Por que não fazer isso com o Aedes aegypti?”.
 
O Dr. Mafra-Neto explica que o compromisso de erradicação do Aedes aegypti deve ser uma meta estabelecida e de responsabilidade compartilhada por todos. Segundo ele, diversos setores da sociedade já foram capazes de unir-se em diversos níveis para superar desafios que pareciam inalcançáveis. Para isso é necessário fixar uma meta almejável e deixar clara sua relevância, determinar prazos e estratégias e envolver todos os atores do processo até a obtenção do resultado final.
 
No evento foram apresentadas três novas tecnologias que a Isca está lançando para o efetivo manejo e controle de três vetores críticos: Aedes, Culex ou Pernilongo (Vírus do Nilo Ocidental e encefalite) e Anopheles (Malaria).
 
A primeira é o LBS, um dispositivo inteligente para detecção de insetos voadores. O LBS é barato e extremamente preciso e automaticamente detecta, identifica e monitora a presença de mosquitos adultos em um determinado ambiente. Permite que os programas de controle de vetores caracterizem e quantifiquem a população de mosquitos existente na área alvo em termos de composição de espécies e suas relativas densidades, isso tudo em tempo real. Essa informação capacita profissionais a determinar se são necessárias ações de controle, quando, grau de efetividade e quanto tempo elas são eficazes.
 
A segunda tecnologia apresentada no encontro foi o Vectrax, uma formulação pulverizável que atrai e mata mosquitos através da simulação do odor de néctar de plantas, e tem como alvo a mosquitos adultos de qualquer espécie. Os mosquitos dos dois sexos buscam néctar praticamente de forma diária, e as fêmeas se alimentam várias vezes antes de picar alguém em busca de sangue. Em função disso, o Vectrax dizima a população local dos vetores antes que eles tenham oportunidade de atacar hospedeiros e transmitir doencas.
 
Uma terceira tecnologia de controle do mosquito é o SPLAT BAC, desenhada para controlar as populações em estado larval. Trata-se de um larvicida de longa duração que pode ser aplicado preventivamente em criadouros de mosquitos. O produto atrai fêmeas grávidas para depositar seus ovos nas aguas tratadas – e ai a formulação atrai e mata as larvas tornando os criadouros improdutivos.
 
O Dr. Mafra-Neto afirmou que “o efetivo uso dessas três novas tecnologias dentro de um programa integrado de controle de vetores terá uma grande chance de interromper completamente a transmissão de doenças transmitidas por mosquitos, como Zika, dengue e malaria”.
 
O objetivo primário do “Encontro sobre Aedes aegypti nas Américas” foi o de convocar muitos dos líderes do conhecimento envolvidos com pesquisa e controle desse inseto para identificar passos imediatos e criar soluções sustentáveis de longo prazo. A iniciativa foi da Sociedade Entomológica dos Estados Unidos (ESA, na sigla em inglês) e da Sociedade Entomológica do Brasil (SEB). O evento reuniu mais de 60 pesquisadores, funcionários da saúde pública, entomologistas, especialistas em controle do vetor e representantes de empresas privadas, organizações não-governamentais (ONGs) e outras agências.
 
Fonte: Agrolink
Autor: Leonardo Gottems