25/10/2013

Armadilhas contra lagarta

 

MARIANNA PERES
Da Editoria

Diário de Cuiabá/MT

 

Armadilhas com feromônios de Helicoverpa estão sendo instaladas em lavouras de soja de várias regiões do Estado e já estão dando resultados e possibilitando ações diferenciadas sobre a praga, que é hoje a maior preocupação do produtor, não apenas no Estado, como em grandes estados produtores de grãos e fibras no país. A implantação dessa ferramenta de pesquisa e monitoramento é feita na medida em que as propriedades são visitadas pela expedição Circuito Tecnológico, promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT). Nesta semana, segunda etapa de visitas da caravana, a atuação se concentra nas regiões sul e leste de Mato Grosso. 

Como explica o diretor técnico da Aprosoja/MT e coordenador do Circuito, Nery Ribas, a expedição está distribuindo armadilhas para mapeamento da lagarta Helicoverpa, focada no gênero armigera, a mais agressiva e mais resistente ao combate químico. Uma equipe extra – ao invés de oito, neste ano tem a nona - liderada pelo presidente da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal (CDSV) do Ministério da Agricultura no Estado, Wanderlei Dias Guerra, está direcionada exclusivamente para pragas e doenças, ou seja, focada na questão fitossanitária da safra 2013/14 de soja. 

Ribas explica que as armadilhas integram as ações do projeto Grupo Helicoverpa Mato Grosso (GHMT). “A Aprosoja/MT comprou 100 armadilhas que estão sendo instaladas aonde há registros da presença da Helicoverpa. A captura ajuda a identificar o gênero, se zea ou armigera, como também em que momento do ciclo de vida a lagarta se encontra. As armadilhas possuem feromônios de Helicoverpa para atrair a espécie”. Para a implantação da armadilha, o produtor se compromete a enviar informações sobre as coletas. 

O monitoramento, por meio das armadilhas que já identificaram o gênero das lagartas, está permitindo um trabalho de controle e combate diferenciado em muitas propriedades do Estado. “Antes de instalar as armadilhas, procuramos de forma aleatória a presença de ovos e ou lagartas nos primeiros ínstares”, explica Dias Guerra. 

O coordenador da CDSV/Mapa lembra que Mato Grosso é o primeiro estado a fazer um levantamento amplo de ocorrência da praga. “Os municípios aonde já se detectou a praga, os produtores foram avisados, alertados e têm condições ou já fizeram os pedidos de importação do benzoato de Emamectina, produto que combate a lagarta. Quem está plantando agora, após a regularização das chuvas, está começando os trabalhos com ações diferenciadas e focadas no controle fitossanitário, ou seja, aplicando herbicidas para eliminar as plantas guaxas e o inseticida junto. Em área como a visitada hoje, onde a mistura herbicidas e inseticidas foi adotada, encontramos lagartas sim, mas mortas”, exclama. 

Dias Guerras aponta que depois que uma praga entra no país só resta aprender a conviver com ela. “Do ponto de vista ecológico e ambiental nem é recomendado tentar se fazer uma erradicação da lagarta, e para isso, para aprender a conviver com ela, o produtor precisa ouvir o que vem da pesquisa e dos monitoramentos. Assim ele terá êxito no controle e combate e a situação não se agravará”. 

DIÁRIO DE BORDO – Dias Guerra está desde o início do plantio da nova safra visitando vários municípios produtores, como forma de antecipar problemas com as lagartas e com a ferrugem asiática que deve começar a dar trabalho na medida em o clima se mantiver ideal ao fungo Phakopsora pachyrhizi: quente e úmido. O gênero armigera da Helicoverpa pôde ser confirmado em lavouras do noroeste, graças ao resultado das armadilhas. Entre várias observações que tem feito fica comprovada a desinformação de técnicos e produtores e a imprudência/negligência no trato diário da lavoura. 

Na última quarta-feira, por exemplo, no sul do Estado, Dias Guerra flagrou plantios feitos mais cedo, ainda na segunda quinzena de setembro que já estão entrando na terceira aplicação contra Helicoverpa, e o pior, “ficaram bem evidentes os escapes, pois tem lagarta nos últimos instares, nos primeiros e com ovos. Tem lagarta que volta a comer, após algumas horas da aplicação como se nada tivesse acontecido, elas não estão nem aí”, publicou em seu Facebook. Diante dessas e outras constatações, ele recomenda: “Para quem está com lavoura nova, germinando, deve ter capricho na primeira aplicação, controlar as lagartas logo no início. Rotação de grupo químico - somente depois de uma geração da praga – é prática fundamental, além é claro, uso de produtos biológicos para preservar os inimigos naturais, dentro do princípio do monitoramento integrado de pragas (MIP)”. 

E completa: “Tem produtor que perde por pragas e gasta muito dinheiro porque não anda na lavoura, ou, não cobra isto de seus técnicos”, adverte.