06/04/2016

EUA prepara Centro de Prevenção e Controle para enfrentar Zika vírus‏

 

O Centro de Prevenção e Controle (CDC) dos EUA, que tem sede na cidade de Atlanta, já se prepara para enfrentar a ameaça do Zika vírus no território continental do país. Com esse objetivo, o órgão reuniu mais de 300 especialistas locais e de outros estados norte-americanos no final do último mês de março, de acordo com informação do Portal Ars Technica’s.
 
“Os mosquitos que carregam o Zika já estão ativos em partes dos Estados Unidos, e centenas de viajantes com o vírus já retornaram ao nosso território continental. Podemos projetar claramente grupos de Zika vírus nos Estados Unidos continental nos próximos meses”, disse o diretor do CDC, Tom Frieden, antes da reunião. “A ação urgente é necessária, especialmente para minimizar o risco de exposição durante gravidez”, acrescentou.
 
O Zika, um vírus que se espalhou por toda a América do Sul e América Central desde o ano passado, é majoritariamente transmitido pelo mosquito Aedes aegypti – mas também por contato sexual. Geralmente o vírus causava leves sintomas como febre, erupção cutânea, conjuntivite e dores. Porém, nos surtos recentes o Zika tem sido relacionado a casos raros de paralisação, chamando de Sindrome de Guillain-Barr. O que causa mais preocupação é a relação com os defeitos de nascimento, incluindo a microcefalia, nos quais os bebês nascem com má-formação cerebral.
 
Enquanto pesquisadores ainda estão estudando a relação entre o Zika e a microcefalia, especialistas em saúde temem que este é apenas um dos problemas. “Talvez uma das coisas mais importantes desconhecidas é a variação de anormalidades junto à microcefalia”, disse Frieden em entrevista coletiva. A microcefalia deve ser apenas o caso mais extremo. Bebês expostos ao vírus no útero podem sofrer também de problemas de desenvolvimento e cognitivos menos óbvios, especulou Frieden.
 
O temor é reforçado por dados recentes que fortalecem a ligação entre o vírus e o defeito de nascimento com alguns estudos que constataram o vírus matando células cerebrais. Em um recente estudo divulgado nesta semana pelo New England Journal of Medicine, pesquisadores dizem que seguiram o desenvolvimento de um feto de uma mãe que foi infectada durante uma viagem à América Central com três meses de gravidez.
 
Com testes sanguíneos e imagens de ressonância magnética, os pesquisadores observaram que o cérebro do bebê essencialmente se tornou líquido no curso de nove semanas. A mulher abortou o feto na vigésima primeira semana.
 
A conferência da última sexta-feira cobriu dados científicos sobre o vírus e forneceu treinamento a autoridades sobre como prevenir, tratar e falar com o público, particularmente a mulheres grávidas, sobre o Zika e os efeitos na saúde. Os especialistas também focaram na coordenação dos esforços para baixar as populações de mosquitos.
 
Há uma mistura de práticas de várias comunidades para controlar o mosquito e muitas delas são muito efetivas, segundo Amy Pope, assessora de segurança doméstica da Casa Branca. “O objetivo do encontro foi reunir todas essas práticas em um só lugar, dar opções às pessoas, para então elas poderem desenvolver um plano compreensivo bem antes de vermos os mosquitos picando pelos EUA continental”, disse ela.
 
Apesar dos especialistas em saúde não preverem surtos fortes de Zika provocados por mosquitos nos Estados Unidos, há motivo para esperar pequenos grupos de transmissão. O Zika é transmitido pelo mosquisto Aedes, particularmente o Aedes aegypti, mas algumas vezes pelo Aedes albopictus. Esses mosquitos, que estão em algumas áreas dos Estados Unidos, também podem transmitir febre amarela, dengue e o vírus chikugunya. Pequenos surtos de chikugunya e dengue surgiram em certas áreas há alguns anos, especialmente na Flórida e no Texas. Especialistas suspeitam que o Zika se comportaria de maneira similar.
 
Frieden salientou a dificuldade de eliminar populações de Aedes, que têm hábitos diurnos e podem reproduzir-se em locais muito pequenos de água parada. Para ele são necessários esforços coordenados, sustentados e apoiados financeiramente para o controle.