26/09/2011

INOVAÇÃO - Parceria entre Embrapa e ISCA vai levar tecnologia de feromônios para controle biológico de pragas ao mercado

 

E. Heros - Foto. Adriana Mikami

Brasília, 23 de setembro de 2011 - Uma parceria firmada recentemente entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 47 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, e a empresa ISCA Tecnologias, vai possibilitar que produtos desenvolvidos a partir de feromônios para controlar o complexo de percevejos da soja cheguem ao setor produtivo. Os feromônios são os mais importantes elementos da comunicação entre os insetos.  São substâncias químicas de cheiro peculiar, presentes em cada espécie, que atuam como meios de comunicação.  Na natureza, os feromônios são responsáveis pela atração de indivíduos da mesma espécie para acasalamento, demarcação de território e outros tipos de comportamento. Os cientistas reproduzem, em laboratório, as condições observadas na natureza para monitorar o comportamento dos insetos-praga e interromper a sua reprodução. 

            O Laboratório de Bioecologia e Semioquímicos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia desenvolve estudos com os semioquímicos (feromônios e cairomônios) das diferentes espécies de percevejos da soja desde 1990 para controle e monitoramento de percevejos que atuam como pragas na cultura da soja no Brasil. 

            Mas faltava identificar um parceiro com capacidade técnica para levar essa tecnologia ao mercado. "Encontramos na ISCA um parceiro capaz de transformar essas pesquisas em produtos comerciais", afirma o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Miguel Borges

            A ISCA, sediada em Ijui/RS, possui um grupo de pesquisa e desenvolvimento com capacidade de síntese, produção e formulação de feromônios, prototipação de armadilhas e desenvolvimento de metodologias de manejo integrado de pragas. O objetivo final da parceria é disponibilizar ao setor produtivo da soja metodologias de monitoramento dos percevejos da soja utilizando armadilhas iscadas com feromônios que auxiliem os produtores a adotarem técnicas de manejo que aumentem a eficiência do controle.

* E. Heros - Foto. Adriana Mikami

 

Percevejo: inimigo da soja de norte a sul do Brasil
 

            A soja é uma das principais culturas agrícolas do Brasil, com  uma produção de 67 milhões de toneladas, envolvendo 16 estados e uma área  superior a 21 milhões de hectares. O percevejo da soja é uma das pragas mais nocivas a essa cultura de norte a sul do Brasil e também em outros países, como Argentina e Estados Unidos.

            O ataque dos percevejos causa atrofia nos grãos, diminuindo seu valor de mercado e resultando em prejuízos econômicos.

            Hoje a tecnologia existente para monitoramento e identificação da presença de percevejos nas lavouras de soja é a técnica do pano de batida, que além de exigir mão-de-obra qualificada, demanda tempo dos técnicos envolvidos no monitoramento e, por isso, não é muito utilizada pelos produtores, especialmente em plantios extensivos. O controle dos percevejos tem se baseado em calendários de aplicações baseados na fenologia das plantas com intervenções pouco criteriosas, que não levam em conta a dinâmica dos percevejos no campo.

 

Armadilhas à base de feromônios: monitoramento e controle dos percevejos nas lavouras

 

            As armadilhas desenvolvidas a partir de feromônios facilitam o monitoramento dos percevejos nas lavouras de soja, pois as capturas são especificas à praga-alvo, exigindo somente que o produtor conte o número de insetos. "O que se espera no futuro é que o produtor espalhe as armadilhas na área cultivada e faça inspeções semanais em busca de percevejos. Sempre que o número de insetos alcançar uma quantidade pré-determinada a aplicação de inseticida será recomendada, aumentando a efetividade do controle, e o mais importante: diminuindo o número de aplicações de pesticidas, o que protege o bolso do agricultor e o meio ambiente", afirma Borges.  

            Testes realizados em campo com o feromônio sintético de Euschistus heros, conhecido popularmente como percevejo marrom da soja tem apresentado resultados positivos.

 

Pesquisas buscam um único produto para o complexo de percevejos da soja

 

            Com os bons resultados obtidos, os pesquisadores estão focados agora em desenvolver uma única formulação para as diferentes espécies do complexo de percevejos da soja. Paralelamente, desenvolvem também ações de pesquisa voltadas à disponibilização da tecnologia para os agricultores, como, por exemplo, determinar a melhor concentração dos compostos e desenvolver armadilhas com maior poder de captura e retenção dos insetos.

           "Uma vez conhecida a dinâmica de atração dos percevejos com feromônios será possível evoluir para o desenvolvimento de produtos de controle", adianta o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Esse sistema de controle biológico já está sendo utilizado pela empresa ISCA para duas pragas de maçã.