18/07/2012

ARTIGO - Mosca das frutas, em curto prazo um panorama sombrio.

 

 

Eng. Agr. João Vicente Zuanazzi

Crea RS 065.742

 

 

Há várias safras que temos observado falhas no controle das moscas das frutas (Anastrefa fraterculus) nos pomares de macieiras, principalmente em áreas onde a praga tem uma presença significativa, ou seja, naqueles próximos de matas nativas ou entremeadas delas e com presença de hospedeiros como goiabeiras e guavirovas.  Uma das dificuldades crescentes é a falta de opções de novas moléculas eficientes para o seu controle químico, menos tóxicas e agressivas ao meio ambiente, pois as tradicionais (fosforados, carbamatos e piretroides) estão sendo proibidas ou fortemente restringidas nas exigências dos limites máximos de resíduos (LMR’s) na fruta, onde a maioria dos ingredientes ativos já esta no limite de detecção, ou seja, partes por bilhão. Outra dificuldade observada que vamos enfatizar neste artigo é o modelo de monitoramento utilizado, baseado no uso de suco de uva a 25% em armadilhas de bola (Macphil). Já por três safras consecutivas observamos que o monitoramento desta forma tem uma boa confiabilidade no inicio do ciclo até a fase de pré-colheita. Após este período nos parece que sua atratividade fica muito prejudicada e capturamos uma quantidade muito baixa de moscas, não refletindo a verdadeira situação da praga, ou seja, temos um caso típico de falso negativo.  Não sabemos exatamente entender a razão para esta perda, mas uma hipótese pode ser formulada, a influência das frutas maduras na colheita e também as que caem no chão, como fonte de liberação de compostos voláteis que podem estar confundindo as moscas em encontrar os frascos com suco, como conseqüência, os níveis de capturas permanecem baixos e nunca atingem o nível de controle, mas os danos econômicos ocorrem. A Anastrefa fraterculus é uma praga quarentenária em muitas partes do mundo e uma solitária larva se torna um problema muito grande para a exportação da fruta, pois se encontrada, pode representar o rechaço de um container  e se estiver ainda viva o problema é maior, pois na legislação brasileira a tolerância é “zero” para insetos vivos, gerando custos e prejuízos ao produtor e o embalador.

Em função destas falhas estamos na busca de soluções. Uma das alternativas para o monitoramento é a troca dos atrativos alimentares.Sabemos que a mosca, principalmente a fêmea necessita para o amadurecimento de seus ovos e ovário uma alimentação rica em proteínas, essencial para que haja a completa formação destes, então o uso de atrativos alimentares composto destes nutrientes ou similares é um atrativo bem mais eficiente que o suco de frutas, uma fonte apenas energética. A fêmea em períodos de postura de ovos vai à procura de alimento proteinado e então as armadilhas tornam se novamente representativa da população existente, melhorando a confiabilidade no sistema de monitoramento. No entanto, há duvida que ainda permanece é estabelecer o grau de representatividade destes compostos atrativos, ou seja, a que níveis realmente teríamos riscos eminentes e certos, estabelecer com mais exatidão a relação entre o número de capturas e a verdadeira densidade populacional da praga existente nos pomares e o seu potencial de dano.

Nesta safra de 2012 tivemos uma boa noção deste fato, quando da troca do atrativo suco de uva por Torulas, uma levedura, que tem alta concentração de proteína.Enquanto as armadilhas de suco tiveram capturas insignificantes apartir de fevereiro e não alcançaram em nenhum momento o nível de dano econômico as com Torula foram bem mais eficientes. No gráfico abaixo podemos verificar as capturas de moscas durante o ciclo de um pomar de macieira de 300 hectares a partir de 14 de fevereiro. Comparando as capturas do atrativo protéico de leveduras com o suco de uva é clara a diferença no número de moscas capturadas e reflete automaticamente na indicação de realizar ou não as medidas de controle, que no caso da mosca das frutas é 0,5 mosca/frasco/dia, obviamente levando este padrão como correto. Outro fato interessante é que as armadilhas com leveduras continuam a capturar moscas durante períodos bem mais longos, inclusive no final do outono, com temperaturas próximas a zero grau, que sabidamente não são favoráveis ao desenvolvimento da praga. Permanece a dúvida de como manejar estas informações conjuntamente com as medidas de controle, qual é a relação real da densidade de população com as capturas realizadas, uma fêmea coloca mais de 200 ovos, logo o poder destrutivo desta praga é grande, então é melhor pecar pelo excesso do que ter surpresas desagradáveis, pois os danos econômicos em fruticultura rapidamente podem ser graves e irreversíveis.