10/01/2011

Frutas mais limpas na mão do produtor

 

Os cinco hectares da plantação de pêssegos do produtor Claudino Contini, 68 anos, têm uma diferença significativa para um pomar comum, mas quase imperceptível aos olhos de um leigo. Só procurando bem se encontra uma massa escura, não maior do que uma polegada, nos galhos de algumas plantas. Ali está a diferença.


A pasta escura é feromônio (SPLAT GRAFOLITA), substância sintetizada em laboratório, para controle da grafolita, uma mariposa cuja lagarta ataca os frutos. Os feromônios são utilizados para comunicação sexual entre os insetos. Como a pasta está espalhada por todo o pomar, os machos se confundem e não encontram as fêmeas para acasalamento. Assim, não há colocação de ovos e, por consequência, a praga não se prolifera. Já utilizada em pomares de maçã, a técnica ainda é novidade para os produtores de pêssego da região serrana.

O método é acompanhado e incentivado pelo pesquisador Marcos Botton, da Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves. Especialista em insetos, ele explica as principais vantagens do produto: não deixa resíduos nos frutos, não polui o ambiente e não é tóxico para o aplicador.

O único porém é quando o feromônio é aplicado em áreas não uniformes, o que pode resultar em pontos “cegos”, onde o acasalamento fica liberado. O pesquisador também alerta sobre a importância de os produtores controlarem outras pragas, como a mosca das frutas.

– Como os feromônios são específicos, eles irão atuar somente sobre a praga-alvo. Caso outro inseto infeste a área, ele não será afetado pelo produto – explica Botton.

Conforme o pesquisador, o feromônio, produzido por duas empresas brasileiras, tem um custo menor do que inseticidas, entre R$ 250 e R$ 300 por hectare. Outra vantagem é que o produto aplicado num ano reduz significativamente a população da praga na safra seguinte.

fonte. (JORNAL DE SANTA CATARINA/BLUMENAU 10/01/2011)