05/05/2011

Armadilha com nanosensores para identificação de mosquitos e detecção do vírus da dengue em tempo real

 

A ISCA está desenvolvendo armadilha com nanosensores que captura e identifica mosquitos e determina se eles são portadores do vírus da dengue. Esta inovação representa um grande avanço para programas de controle de Dengue como no Brasil, pois será possível saber onde estão os mosquitos, que especie de mosquito, em que densidade, e se eles são ou não transmissores de dengue. O invento será apresentado para comunidade científica no International Society for Infectious Diseases (ISID) dia 8 de julho, promovido pela Sociedade Internacional para Doenças Infecciosas, quando o Diretor da empresa, Dr. Agenor Mafra, apresentará em Boston (EUA) os resultados preliminares da pesquisa que vem conduzindo à frente de sua equipe em parceria com o Dr. Eamonn Keogh, docente do Departamento de Engenharia e Ciências da Computação da Universidade da Califórnia. O trabalho será exposto e mostrará como a ISCA concebeu uma forma inovadora de monitorar a presença dos vírus da dengue e da dengue hemorrágica em tempo real. Testado com êxito em laboratório, o experimento deverá agora ser levado a campo, como próximo passo da pesquisa.

 

O experimento utilizou como ferramenta de atração a Zumba Mosquito TrapTM, armadilha patenteada que, quando iscada com dióxido de carbono e o atrativo sintético SkinLureTM, apresenta desempenho superior ao da tradicional mini-armadilha luminosa CDC, pois coleta um número maior de mosquitos Aedes aegypti e, dentre estes, uma proporção maior de mosquitos hospedeiros do vírus da dengue, relativamente aos mosquitos não-hospedeiros. O método utilizado consistiu em acoplar à Zumba Mosquito TrapTM um conjunto de nanosensores previamente bio-funcionalizados para acusar a presença do vírus através de sinais elétricos que são computados eletronicamente e enviados por wireless para a rede de dados Moritor (checkplant.com.br). Para determinar os resultados, utilizou-se dois grupos separados de mosquitos: um formado por não-portadores do vírus e outro por portadores. Os dados colhidos durante o experimento mostraram que a resistência à corrente elétrica dos nanosensores mantinha-se estável quando estes eram expostos ao primeiro grupo e aumentava significativamente nos testes com o segundo. Assim, ficou demonstrada a viabilidade de se combinar armadilhas Zumba com nanosensores da ISCA para monitorar em tempo real a presença do vírus da dengue em áreas infestadas por mosquitos.

 

A condução desta primeira etapa da pesquisa é resultado de anos de pesquisa e colaboração com a Universidade da Califórnia. Para bio-funcionalizar os nanosensores contra o vírus da dengue foi necessário utilizar anticorpos específicos e lançar mão de circuitos eletrônicos capazes de um prover rapidamente um grande número de cálculos complexos sem utilizar muita energia. O próximo passo? desenvolver um dispositivo similar portátil que possa ser empregado em campo -  caminha na direção de se chegar a um produto commercial com enorme impacto na área de saúde pública, especialmente em países tropicais.