04/04/2016

Camex retira imposto de importação para inseticidas biológicos Bti

 

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) retirou o imposto de importação para inseticidas biológicos formulados à base de Bti (Bacillus thuringiensis, var. Israelensis). A justificativa da renúncia da alíquota de 14% é baratear a fabricação de produtos capazes de combater o mosquito Aedes aegypti – que é transmissor de vírus como a dengue, zika e chikingunya.
 
Segundo o próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a decisão acaba reforçando também o arsenal para o controle da lagarta Helicoverpa armigera. Apesar de ampliar como alvos outros insetos, o “Bacillus thuringiensis é isento de classificação toxicológica, sendo inofensivo para o ambiente e organismos não-alvo (EFSA, 2012a; EPA, 1998; Sanco, 2008a)”, de acordo com estudo da Universidade Técnica de Lisboa.
 
“As subspécies tenebrionis, israelensis e kurstaki não apresentam efeitos tóxicos em mamíferos (Sanco, 2008d a 2008h). Observou-se irritação ligeira quando inalado ou por contacto, no entanto sem efeitos tóxicos (EPA, 1998). Não se verificaram efeitos de toxicidade aguda nem crônica em aves ou organismos aquáticos (EPA; 1998). Não é cancerígeno, teratogénico ou mutagénico (Anónimo, 1994; EPA, 1998)”, complementa a pesquisa, assinada pela engenheira agrônoma Sara Sofia Ferreira Pinóia.
 
“Não foi observada toxicidade direta a insectos predadores nem parasitas, sendo que qualquer efeito parece ser provocado indiretamente. Em estudos de campo, em insectos que não os alvos principais e seus respectivos inimigos naturais, não foram encontrados grupos de espécies que fossem afectados (EPA, 1998)”, conclui.