28/02/2018

Efetividade de pesticidas populares é questionada

 

Um novo estudo da “Força Tarefa de Pesticidas Sistêmicos” questiona a efetividade de dois dos mais populares defensivos agrícolas usados atualmente: neonicotinoides e fipronil. De acordo com a pesquisa parece haver um “excesso de confiança” entre os usuários desses químicos que não se confirmam na produtividade das lavouras.

“Estivemos surpresos de constatar a produtividade com neonicotinoides: o rendimento não foi muito mais alto. Há grande evidências de efeitos negativos sobre polinizadores e artrópodes que precisam ser pesados contra os benefícios do controle de pragas que esses inseticidas sistêmicos deveriam produzir”, disse o Dr. Jean-Marc Bonmatin, autor do paper publicado na revista acadêmica Environmental Science and Pollution Research. 

Segundo os pesquisadores, boas práticas agrícolas como rotação de culturas, plantar variedades naturalmente resistentes e até mesmo um seguro agrícola são consideradas medidas mais efetivas e baratas do que esses dois inseticidas. Outro problema apontado por eles é o fato de neonicotinoides e fipronil contaminarem lençóis freáticos.

 

O paper de Bonmatin, que revisou mais de 200 estudos sobre o tópico, encontrou evidências de que os defensivos químicos têm pouco efeito sobre a produtividade porque, na maioria dos casos, a ameaça aos cultivos não era tão grande para justificar os gastos. Além disso, as pestes rapidamente desenvolveram resistência. “Se não funciona, esse ponto é muito importante. Quanto mais se usa inseticidas, mais as pestes se tornam resistentes”, afirmou.

“Informação abundante está disponível sobre o impacto negativo dos neonicotinoides e fipronil sobre o ambiente... No entanto, há uma grande relutância em reduzir o uso de inseticidas em função das alegações de que resultaria em perdas”, diz o paper.

De acordo com o presidente da Isca Tecnologias, Agenor Mafra Neto, uma solução seria desenvolver um sistema híbrido de controle, utilizando produtos sustentáveis de atração dos insetos a um ponto onde esteja o inseticida. “Nesse caso não é necessário pulverizar em grandes áreas, mas apenas em pontos estratégicos que serão muito mais efetivos”, explica o especialista.

 

“Com esse tipo de controle, o inseticida vai encontrar apenas o alvo biológico da aplicação, não intoxicando outros insetos benéficos e contaminando o meio ambiente e as pessoas. Para se fazer uma agricultura verde, é necessário ter essas ferramentas de ecologia química para manipular o comportamento dessas pragas”, explica ele. 

Mafra Neto cita como exemplo o Kit Lurex, um conjunto de armadilhas e atrativos para monitoramento de mariposas da família de Noctuideos (Helicoverpa, Heliothis, Spodoptera, Pseudoplusia, Plusia). Dimensionado para monitorar 50 hectares durante quatro meses, o atrativo Lurex libera odores que indicam às mariposas que a armadilha é uma fonte de alimentação, atraindo os insetos pelo funil para que fiquem presas na rede de retenção da armadilha Bola.

 

Outro exemplo é o Anamed, um atrativo alimentar para mosca-das-frutas, especialmente para Anastrepha, Ceratitis e Bactrocera. De acordo com a fabricante, o produto é próprio para mistura com inseticida em aplicações de isca-tóxica, sem adição de água e não atrai insetos benéficos como abelhas e vespas.

por:  -Leonardo Gottems